Contemplação

Eu ouço o som da sua voz, meu anjo amigo
Eu entardeço no verão do seu olhar
Eu me esclareço nas versões do teu umbigo
Na tua saliva faço o sertão virar mar

Mordo com raiva a madrugada de domingo
Pois a segunda chega pra nos separar
Sussurro rios e flores no seu ouvido
Ouço trompetes cubanos pra te anunciar

Verdade dita é insolúvel seu rosto fino
Largo horizonte acompanha seu caminhar
És musa eterna deste seu pobre menino
Que cruza esquinas e ruas pra te acompanhar

Se chegas tarde já me mordo de ciúme
Do tempo que chegou primeiro pra te cortejar
Se vais por pouco já me morro de saudades
Meus olhos cegam de vontade de te olhar

Pois és a verdadeira musa de qualquer canção
E sol só raia com a luz curvada em sua direção

Não que tu não venhas cedo, te peço
Mas que tu não mais se vá , faz vista grossa pra vida e por favor  fique
Se enrola em meus lençóis e nada mais
O resto é do mundo, ele que complique
Meus olhos regam o jardim do teu quintal.

O silêncio dos condenados

Semeará teus olhos vãos então
Sob o vidro apático da contradição
Confissão da inveja do verão
Rendido refém do seu caminhar

Posto sobre os novos tons
Teus olhos de refrão, me refrescam
Começo, meio , fim e ponte
Linha do horizonte estreita na tua pupila perfeita
Que se endireita e desajeita por mero capricho do destino
Que dança como um menino seguindo o caminho
Que por puro respeito só existe se for do seu jeito

E o amanhã não será culpado
Quando a gente tiver assim preocupados
Cada um será herdeiro do destino que se tem cortejado
E o caminho apontará qualquer lado

Os deuses tramam calados
Te aconselho a escolher o melhor pecado
Somos nós sorrisos fartos, se esgueirando pelos lábios
Como frestas abertas esperando caminhos intercalados
Teus olhos de leão vão se satisfazer
Com a fome que me traz olhar você

E você não sabe? Que se aguça meu olfato quando és um fato
De tão perto do meu tato que eu já não me engano
E você não sabe? Melhor saber
Meus olhos de vilão vão sequestrar você
Quase por querer, sem nenhuma escolha por fazer
Melhor escolher

Endossa a liberdade ter teu corpo e minha vontade
Dividindo a mesma cama, selando as nossas contradições
Condições das confusões que quase como refrões se repetem
Porque todo disco tem dois lados
E as canções são nós dois em versos eternizados

E se o amanhã vai ser culpado
Que o presente não devolva o troco do passado
Pra que nossos corações continuem desavisados
De todos os nossos pecados.

Eu não sou de ferro e até o ferro pode enferrujar

A depender da lua toda estrela é secundária
O que nos norteia é o fogo que incendeia o céu
A claridade mata o escuro e a gente se vangloria da luz
Ao que depender do céu o mar é só um outro azul
No imenso azul do horizonte.

Se não houvessem estrelas, esses sonhos leves
Que vagam num espaço anacrônico
Flutuando inertes entre o tempo e o espaço
E tudo mais o que não nos interessa
O azul do céu e do mar
E o que nos importa é o que resta

Das parafernálias do destino, a ânsia da garota
E a timidez do menino, a gelidez do homem
E a transparência da mulher, o amor de quem ama
O desejo de quem quer, a idolatria do almejante
O medo de quem é, o silêncio sufocante, o que ouvir ninguém quer
O pulsar exuberante, o parar amedrontante, o pouco, o montante
O momento, o instante, as contradições que nos paralisam
São as que mantem vivas a vontade de andar...

Tem um barco vazio com nosso nome escrito
Esperando para flutuar num mar de incertezas
Tem um barco vazio com nosso nome escrito
Esperando para flutuar no horizonte
Tem um barco vazio com nosso nome escrito
Esperando pra se encher de dúvidas

E a gente sonhando em se aventurar no mar

pequena descriçao do blog

a arte com palavras tem que ser intensa, mas ao mesmo tempo sádica, mentirosa mas sagaz, gosto de ter as palavras sobre controle e brincar com las, quanto menos tempo eu gastar compondo um poema, melhor pois soa espontâneo, isso é arte
isso é minha arte