Manual do poeta

é com um pesar imenso

e em meio a um devaneio
que escrevo essa carta
em formas de versos
sinto como se as horas durassem dias
e os dias fossem perpétuos
sinto como se mil centelhas de estrelas
flutuassem sobre minha cabeça
me fazendo de braços atados
escrever um manual de poetas:

amais sobre todas as coisas o amor
pois dele nascem desde o ódio à solidão
e é ele quem faz a alma
amor sem amar é tiroteio no escuro
é guerra sem sentido, é fim de mundo

adorais as mentiras e cultivais as verdades
dizei nas mentiras verdades e vice e versa
verdade constrói caráter, mentira constrói intelecto

e por fim chorais, chorais e sorris
como beija-flores no deserto à procura da flor
que brilha ao sol do meio dia
chorais quando o vento guiar-te para além de seu amor
sorris para cada resposta sincera, mesmo que mentirosa
alegre-se a cada dia de sol, pragueje sobre os dias de chuva
seja feliz, busque a felicidade, seja um doce amargo
seja um devaneio da vida

il primo passo nella risurrezione

se eu tivesse um espelho

seria como um álibi
uma doce sensação de não culpa
poderia passar por caminhos estreitos
subir montanhas e culpar as pessoas por crimes meus
se eu tivesse um espelho
seria como ser onipotente
ter um pacto com a ciência
estar acima da fé
se eu tivesse um espelho
eu seria o certo e o errado
a cura pra tudo
o amor desleal
se eu tivesse um espelho
procuraria palavras em almas
tocaria almas com palavras
e jamais seria culpado
com um espelho na mão se faz milagres
troca-se toda razão por um pouquinho de vaidade
torna-se mar o deserto
se eu tivesse um espelho
pra confrontar as pessoas
seus maiores medos seriam reais
seria genocídio, assassinato em série
seria cruel demais
se eu tivesse um espelho
que refletisse as pessoas, de verdade
provavelmente seria morto
ahhh jamais quero ter um espelho
mas se eu tivesse um espelho, o mundo seria mais fácil
imagina os amores desvendados
ou o brilho escondido dos olhares
toda a razão do pensamento
escondido em um breve momento
onde não há mais razão
tudo isso se eu tivesse um espelho

moun pòv nan pèp la


o choro de um homem branco
comove o mundo
inunda ladeiras
percorre os campos
atravessa fronteira
e vai além do céu e mar
e o choro de um homem negro
ecoa no fundo de sua alma
destrói seu orgulho
corrói sua aura
e não há ninguem pra escutar!
choros são iguais
perdidos em solidão
a cor da alma é sempre igual
pra quem tem, coração!
um velho de tranças brancas
e mãos suaves, em seu conclave
matinal,
ele encontra seus semelhantes,
vestindo trapos
andando errantes, com os errados
em uma rua a se deitar
eles choram seus absurdos
silêncios brandos
para quem passa
e que jamais,
irá escutar
enquanto isso
em suas belas casas, o povo dorme
em seu sonhar
pra não acordar nunca mais
vivendo um pseudo-sonho
uma realidade que nunca
haverá
e em suas vidas inuteis
se aprende a maltratar
pessoas que tinham um sonho
e jamais vão realizar
e que desafiam deus
e jesus cristo e satanás
sáo pessoas angustiadas
por um verdade quebrada
distorcida e alterada
sem parametros iguais
são também pais de familia
sem familia pra criar
pois deus em seu amor eterno
esqueceu de deles cuidar
são almas desanparadas
crianças estupradas
e pessoas sem saber rezar
e o diabo canta polca
dança e faz festa
brinca de seresta
no carnaval a festejar
e as pessoas desdotadas
de amor vivem a pensar
em seus cavalos galopantes
embrioes auto falantes
que esqueceram de sonhar
são pessoas como nós
que fazem o mundo acabar
são pessoa como nós
que deixam as coisas como estão
agem muito e pensam pouco
são simplesmente como são
vivem automatizadas
são facilmente controladas
pela televisão
e o choro do homem negro
transformou-se em desespero
e depois em solidão
solidão de todo um povo
que quase sempre foi tratado
com a mesma escravidão
e não há dor maior pra um homem
que a dor da solidão
solidão de um povo rico
que pra todos nós é pobre
e que vive numa prisão
solidão de um povo inteiro
que vive na agonia
da discriminação
solidão de um sertanejo
que corre atrás da boiada
e da chuva sem monção
solidão do mundo inteiro
que vive nessa tocada
de viver sem ambição
solidão de todos nós
que somos pobres coitados
e não acreditamos não!
solidão de um país pobre
de alma nobre
incandescente
com a aura ardente
um campeão
que foi castigado por deus
em sua humilde obcessão
um povo sobrevivente, forte e vencedor
um povo que luta com a vida
e aposta o corpo sem nenhum pudor!
um povo que acredita
e que confia
que viverá
um povo que por mais que sofra
tenho certeza
não desistirá!

minha humilde homenagem ao povo do haiti

simplesmente amor



então o que acontece é o seguinte, eu fiz esse vídeo pra falar sobre vários aspectos do amor, ...não...,mentira, isso na verdade nunca foi um vídeo, é um apunhalado de imagens, alguns poemas(alguns meus, outros de grandes autores e compositores)o que aparecem isolados normalmente são meus, os sem imagem ao fundo. é que falar de amor, é complicado cada apaixonado sente de um jeito, enfim pra quem for ver,peço que entendam que minha intenção não é e nunca foi, produzir um vídeo, mas, simplesmente fotografar o amor, há uma passagem que diz que amor é sonho dos solteiros e sexo sonho dos casados, nao que eu vulgarize o amor ou o sexo, é que essa frase é humorística, e o amor é isso... um punhado de tragédia, um punhado cômico, e assim se faz o amor

eu, nós e ela!

meio dia, é dia de verao, com seu olhar atraente
meia hora é hora de parar seguir o embalo do dia
rumo a minha romaria, matinal, somente mais um dia
toda rotina tem sua beleza, pena que nao da pra notar
todo dia tem algum interesse, mas nao quero enxergar
estou cego por dentro, e com fome por fora
palido, sem argumento, e atrasado uma hora
nao demora e o dia passa, ja sao duas da tarde
ela com sua boca santa, me beija com gosto de amor
todo dia, tem sua fantasia, coisa de maluco
toda hora, o futuro quebra um espelho
ao refletir seu rosto nú
sem proteçao, todo mundo é igual
por dentro da pele vestida

ah meu deus! se a minha vida passar
nao me deixe chegar atrasado
quero viver todos os momentos
sem deixar nada de lado
ai a vida, dói tanto, por que que eu nao largo ela?
pesou minha cruz, eu abro meus braços
procuro em encalço com meus pés descalços
cansei de continuar mas por ela eu sigo reto
sempre com ela por perto, pra me beijar as 6 da tarde
daquele inverno perpetuo noturno no piauí
aiai ela estava ali
vestida em seu corpo e cabelo ao vento
em cada movimento, uma nova beleza me surgia
era como a liturgia matinal de um padre beato
olhar pra ela era o unico ato
sua beleza me contagiou
senti despertar em mim, a essencia de um poeta
e com meus versos sem rima
me algemei, aos seus olhos de mar
que embora nao fossem azuis , me refletiam a alma
me faziam perder a calma e me mostravam um pouquinho de mim
ai meu deus como é bom ver ela, com seu corpo vestido de ela
sem mais e nem menos perfeita
aos meus olhos ingenuos
ai meu deus como é bom amar
peço que ela, me escute
pois nao consigo mais falar
minha boca junta da dela
é o meu jeito favorito de estar

pequena descriçao do blog

a arte com palavras tem que ser intensa, mas ao mesmo tempo sádica, mentirosa mas sagaz, gosto de ter as palavras sobre controle e brincar com las, quanto menos tempo eu gastar compondo um poema, melhor pois soa espontâneo, isso é arte
isso é minha arte