E se mais tarde for agora?
O arco íris for embora
E se eu ficar sem perguntas
O que é que eu vou fazer?
Crimes nos jornais
Estranhos fractais de você e eu
Geometria plana, retas paralelas
E eu nada sou sem você
O mundo é uma chave
e eu tô de portas abertas
Quem sabe um dia eu não me encontre em você?
Nos seus seios mora seu coração
Nos meus beijos ele se vai
No seu espelho marcado com seu batom
Você se olha e então se vai
Vem pra mim,
Me prende eu teu batom
Me junta ao teu espelho
Me cola em você
Me faz ter teu gosto
Só preu sentir seu sabor
Mora em mim
Pra eu poder ser alguém
Porque sem ti eu não sei mais quem eu sou
Todo mundo é ninguém sem você
Etc e tal.
Talvez eu tenha perdido
Tudo que eu sempre tive
Viagens astrais, minha fé, meu coração
Mas talvez eu tenha encontrado
O motivo de porque se vive
Ancorando em seu pulmão
Teu pingente, teu colar, tuas frases feitas
Minhas desfeitas, feitas só pra você
Mas se você não quiser, eu vou te oferecer
Mesmo assim
Não vai ser nada fácil, você se desprender
De mim
Então meus olhos se alinham aos seus
Minha boca em teu mar de nós dois
Meu silêncio te diz, tudo que vem depois
Pois eu me perdi sem lutar,
fui roubado e agora estou aqui
Parado em meu quarto
Tentando te encontrar
Meus olhos são seus, será que você está aqui?
E eu te chamo de amor, te beijo e te faço dormir
Digo jargões de jornais, só pra você não resistir
Eu te amo enfim...
Perto de ti
Pelo menor preço eu troquei
Certeza pelo acaso, verdades por tropeços
crenças por contradições
Mas a hora é essa, e se não for agora
Tudo bem a gente tenta depois
Por você eu volto outra hora
Mas é desnecessário ter certeza
quando eu sanei minhas dívidas com a certeza
ela esqueceu de avisar
que minha certeza é você
E se tudo tem um preço,
eu pago caro, o preço que for
só pra ter você aqui
Porque meu tudo vira nada
o meu dia madrugada,
meu escudo vira espada
e eu viro tão clichê
Assim pertinho de você!
Soneto do medo da amada
Tão nus teus olhos desprotegidos
tão semelhantes com o infinito
tão perfeitos bem mais que bonitos
que de olhá-los me sinto agredido
Tão cegos meus olhos vendo os teus
tão calmos teus passos vindo até mim
tão gato prum rato, alemão prum judeu
teu medo me guia do princípio ao fim
Tão errado como ver em teus olhos côncavo e convexo
meu olhar refletido meio opaco, já sem cor indo embora
e de tão tudo fosse embora, tu com a metade e eu com o resto
e meu relógio parou desde então,não se contam as horas
pois partisse levando de mim meu espelho
Que ainda vê foscamente tua boca que sem dó me devora.
Algodão entre cristais
Eu daria tudo pra não te ver
pois por onde passas
metade de mim arrastas
e cria em mim feridas
que não vão cicatrizar
Eu daria tudo pra não te sentir
me olhar com teu olhar de sereia
ser tão água e eu tão areia
eu tão poesia e tu tão papel
me vejo em ti desmoronar
Não, mas do que valho eu sozinho
sem teu olhar de cão vadio
e me entorpecer e me sedar
se tudo é pedra no caminho
tu és da flor o mais puro espinho a me picar
e me devora com a fome de um furacão
teu pesadelo é minha ilusão
tão diferentes nós dois, a fome e a nudez
o vagabundo e o lord inglês
te vejo de mim se recortar
mas o que posso fazer, se sou só um poeta
eu daria tudo pra não te ver
desfilar por aí os teus passos
receber de outros corpos abraços
outros braços virem te mimar
mas te juro solenemente
te odiar e amar plenamente
e na fineza de teus traços prometo
te amar errado mesmo do meu jeito
sonhando em contigo nunca mais sonhar
pois de ti sou eu de presente
de mim és tu de bandeja
de nós dois somos um ao outro
guardados em porta jóias
dividindo o mesmo lugar


