Ainda é cedo

Sem o silêncio quase eterno de seus lábios
o infinito passa despercebido em questão de segundos
segundos...
os momentos mais perfeitos duram segundos
o tatear de duas bocas
num sapateado livre
entre dois rios
fronteiras e batons
sem o gosto mais que doce de teus braços
me declino, feito menino
a pirraçar e implorar
por mais
Mas já não importa
cocaína pura, ecstasy , santa droga é te ter
que viciado, deprimido
com crise de abstinência
maluco por sua essência
pra te fumar, te cheirar, te usar
te abusar
até já não importar as horas
os segundos e milésimos
mortais?
sim... Mortais
Velas acesas se amando
tão homogêneos nós dois que somos quase um
quem sabe um dia sejamos três
Enquanto isso eu te misturo na minha bebida
te suo, te sugo
te vivo
até o nosso tempo acabar.
e eu ter que fazer tudo de novo

Todo mundo é ninguém sem você

E se mais tarde for agora?
O arco íris for embora
E se eu ficar sem perguntas
O que é que eu vou fazer?

Crimes nos jornais
Estranhos fractais de você e eu
Geometria plana, retas paralelas
E eu nada sou sem você

O mundo é uma chave
e eu tô de portas abertas
Quem sabe um dia eu não me encontre em você?

Nos seus seios mora seu coração
Nos meus beijos ele se vai
No seu espelho marcado com seu batom
Você se olha e então se vai

Vem pra mim,
Me prende eu teu batom
Me junta ao teu espelho
Me cola em você
Me faz ter teu gosto
Só preu sentir seu sabor
Mora em mim
Pra eu poder ser alguém
Porque sem ti eu não sei mais quem eu sou

Etc e tal.

Talvez eu tenha perdido
Tudo que eu sempre tive
Viagens astrais, minha fé, meu coração
Mas talvez eu tenha encontrado
O motivo de porque se vive
Ancorando em seu pulmão

Teu pingente, teu colar, tuas frases feitas
Minhas desfeitas, feitas só pra você
Mas se você não quiser, eu vou te oferecer
Mesmo assim
Não vai ser nada fácil, você se desprender
De mim

Então meus olhos se alinham aos seus
Minha boca em teu mar de nós dois
Meu silêncio te diz, tudo que vem depois

Pois eu me perdi sem lutar,
fui roubado e agora estou aqui
Parado em meu quarto
Tentando te encontrar
Meus olhos são seus, será que você está aqui?

E eu te chamo de amor, te beijo e te faço dormir
Digo jargões de jornais, só pra você não resistir

Eu te amo enfim...

Perto de ti

Pelo menor preço eu troquei
Certeza pelo acaso, verdades por tropeços
crenças por contradições

Mas a hora é essa, e se não for agora
Tudo bem a gente tenta depois
Por você eu volto outra hora

Mas é desnecessário ter certeza
quando eu sanei minhas dívidas com a certeza
ela esqueceu de avisar
que minha certeza é você

E se tudo tem um preço,
eu pago caro, o preço que for
só pra ter você aqui

Porque meu tudo vira nada
o meu dia madrugada,
meu escudo vira espada
e eu viro tão clichê

Assim pertinho de você!

Soneto do medo da amada

Tão nus teus olhos desprotegidos
tão semelhantes com o infinito
tão perfeitos bem mais que bonitos
que de olhá-los me sinto agredido

Tão cegos meus olhos vendo os teus
tão calmos teus passos vindo até mim
tão gato prum rato, alemão prum judeu
teu medo me guia do princípio ao fim

Tão errado como ver em teus olhos côncavo e convexo
meu olhar refletido meio opaco, já sem cor indo embora
e de tão tudo fosse embora, tu com a metade e eu com o resto

e meu relógio parou desde então,não se contam as horas
pois partisse levando de mim meu espelho
Que ainda vê foscamente tua boca que sem dó me devora.

pequena descriçao do blog

a arte com palavras tem que ser intensa, mas ao mesmo tempo sádica, mentirosa mas sagaz, gosto de ter as palavras sobre controle e brincar com las, quanto menos tempo eu gastar compondo um poema, melhor pois soa espontâneo, isso é arte
isso é minha arte