Os fantasmas se divertem

Fantasmas se divertem
nas paredes do meu quarto
e eu me silencio trancado entre aspirinas
e um sorriso blasé

Desculpa se eu já te fiz chorar,
se eu umedeci seus olhos
perdão por macular seu sorriso

Fantasmas se divertem
brincando de labirinto
enquanto eu vejo tua foto
e nada mais me importa

Desculpa por te apontar essa arma
Por te prender a mim com uma corda
é que fantasmas se divertem
enquanto eu sonho em te amar eternamente

Desculpa se eu não rezo
desculpa se eu não sei nenhuma oração decorada
é que quando eu tenho medo
você é o único deus que eu preciso

Fantasmas se divertem com nosso amor
Eles se lembram que só eu e você somos pra sempre, meu bem.

Um poema bobo pra ti

Todas as borboletas giram mais devagar
campos e campos de flores perdem o cheiro
todas as bocas perdem o batom
todas as vidas estão a andar
toda a beleza se escondeu no banheiro
todo o vácuo sucumbiu o som

Quando você passa, tudo passa devagar
quando você anda, o mundo para de girar
quando você fala, eu não paro de me apaixonar
quando você existe, minha vide insiste em te amar

Valsas e cometas, giroscópios e lunetas
Carrosséis e ilusões
Efeito doppler, dominó
músicas e poemas
cantigas e corações
tudo gira em torno de ti

Quando você respira o ar que eu inspiro
arranca de mim um suspiro
Quando me beija com teus lábios-mar, rio nilo
Tentação teu pescoço, tão vampiro
fico eu a te desejar

Sorriso, de moça rara, preciosa
Preciso o brilho do teu olho, maravilhosa
Onírico o sabor do teu gosto, flor formosa
Vestígios do teu cabelo, na minha prosa

Ventos e caridade
santos e castidade
Tudo perde seu valor

Quando você passa o sentido muda
as setas seguem sua direção
e então todas as placas me avisam exatamente
apontando pra ti
dona do meu coração

Poema do supermercado

Dona, posso te dizer uma coisa?

aquelas crianças no supermercado
fazendo coisas de supermercado, 
de uma maneira tão irritante
claro, eram crianças...

Procurar entre milhões de cadernos
um que combine com o seu humor
tarefa impossível
nada é perfeito o suficiente na sua frente
parece tudo tão simples
flores, sóis, pássaros
o que é raro fica comum na sua frente

Revistas com varinhas de condão
pra rir da cara do meu irmão
tudo vira graça perto de ti
tudo que é simples, vira tão raro do seu lado

E eu fico feliz, de saber que tu és minha
te olhando em meio as crianças barulhentas
com o olhar de anjo ao meu lado
eu aprendi a te amar muito mais a cada dia

A menina que queria ter olhos azuis

É sério que você queria ter olhos azuis?
e estragar a surpresa de ser especial sem querer?
de ser aquele salgadinho especial com a surpresinha dentro?
Não... você nunca precisou de olhos azuis

Sério que você queria ter olhos azuis?
como os seus irmãos?
e perder seus olhos mel que me hipnotizam e me fazem escravo
que me amarram pelos calcanhares e me fazem viver e morrer por você?
você não precisa de olhos azuis

Sério que você queria ter olhos azuis?
e ser fácil de notar? sem me dar ao trabalho de ter que te olhar
e buscar nos detalhes em ti a perfeição?
e me fazer comparar seus olhos ao céu? que clichê
você não precisa de olhos azuis

Sério que você queria ter olhos azuis?
mesmo tendo o gosto mais doce que eu ja provei
o melhor aroma que eu ja cheirei, a melhor coisa que eu ja tateei?
você ainda quer olhos azuis?

Eu posso te dar um rim, um pulmão
dentes, amor, posso te encher de beijos,
posso me deitar com você,
posso te dar a mim mesmo, inteiro
mas querida, eu não posso te dar olhos azuis
me perdoe, mas mesmo eu não podendo te dar...
você ainda quer olhos azuis?
se quiser... Eu dou um jeito...
Mas você quer mesmo olhos azuis?

Um cisne de pele perfeita, a beleza oculta de Picasso e da Vinci
meus poemas são em tua homenagem, meu amor doado a ti,
perfeita? bem mais que isso...
Então querida.... você ainda quer ter olhos azuis?

O domínio do ego

Pernas mecânicas,
células tronco,
conquista do espelho
é só você se abandonando

A arte da guerra
a guerra faz parte
crianças portáteis carregam
armas em suas mãos
tudo bem, é só o fim
se aproximando

e você no seu quarto,
lendo um poema
finge de morto
deita, da a pata
tudo bem,
a minha tv está me chamando

Casas vazias,luzes acesas
livros em branco,
coca-cola
enquanto isso um homem velho
ri de mim

e estamos sozinhos, com um par de sapato
casacos da moda, pessoas passageiras
corremos em círculo e quando é assim
nunca se é rápido o bastante
mas tudo bem, ta tudo bem em fim...

Você não sabe? mas que surpresa...
sua mão também não sabia
porcos na mesa, ação de graças
graça de graça na televisão
tudo bem, elas gostam de mim

apagam-se as luzes, os muros de casa
o fogo e abrasa riem de mim
eu tenho tudo que eu sempre quis...
mas quando é que eu quis algo
além de mim?

pequena descriçao do blog

a arte com palavras tem que ser intensa, mas ao mesmo tempo sádica, mentirosa mas sagaz, gosto de ter as palavras sobre controle e brincar com las, quanto menos tempo eu gastar compondo um poema, melhor pois soa espontâneo, isso é arte
isso é minha arte